sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Brasil mobiliza tropas para combater o mosquito que transmite o Zika


A meta da campanha militar é chegar a três milhões de residências UESLEI MARCELINO/REUTERS O Brasil fez uma declaração de guerra esta semana. O “inimigo número um do país”, como lhe chamou o ministro da Saúde, Marcelo Castro, é o mosquito Aedes aegypti, responsável pelas epidemias de Zika e dengue que assolam o Brasil. O ministro da Defesa acaba de anunciar uma acção militar contra o Aedes para o próximo dia 13 de Fevereiro, que mobilizará 220 mil tropas do Exército, Marinha e Força Aérea. O objectivo é informar a população sobre métodos de prevenção contra a proliferação do mosquito, que se reproduz em focos de água limpa e parada. Estima-se que 80% dos viveiros deste mosquito se encontram dentro das casas das pessoas, como pratos de vasos de plantas ou garrafas de água destapadas. A meta da campanha militar, que basicamente consiste na distribuição de folhetos educativos porta-a-porta, é chegar a três milhões de residências localizadas nas grandes capitais estaduais e em três centenas de municípios mais afectados pelo vírus responsável por uma das maiores crises de saúde do Brasil nas últimas décadas. O contingente militar que vai participar dessa acção de combate ao Aedes representa 60% das Forças Armadas brasileiras. Numa segunda etapa, entre 15 e 18 de Fevereiro, 50 mil militares irão acompanhar técnicos de saúde pública para inspeccionar e erradicar eventuais focos de proliferação do mosquito. Desde Dezembro que o exército brasileiro foi mobilizado para combater o Aedes, mas com uma participação de menor escala e mais localizada. A mobilização agora anunciada é a primeira acção com um carácter nacional e surge no momento em que as críticas à inacção do governo brasileiro contra a propagação do Zika se avolumaram. Na segunda-feira o ministro da Saúde Marcelo Castro admitiu que o país “está a perder feio a guerra” contra o Aedes, uma declaração que, segundo a imprensa brasileira, incomodou a Presidente Dilma Rousseff por soar como uma derrota do governo. Não há dados precisos sobre o número de brasileiros infectados com este vírus – entre meio milhão e um milhão e meio, segundo as estimativas. Mas o dado mais alarmante é o aumento substancial de recém-nascidos com microcefalia, uma malformação em que os bebés nascem com cérebros e cabeças abaixo da média. Mulheres picadas pelo Aedes e infectadas com o Zika, em particular durante os primeiros três meses de gravidez, parecem ter uma maior probabilidade de terem bebés com microcefalia. O Ministério da Saúde brasileiro já confirmou a existência de uma ligação entre a microcefalia e o Zika, embora vários especialistas alertem para a necessidade de mais estudos. Até 2014, o Brasil tinha uma média de 150 casos de microcefalia por ano. De Outubro de 2015 até ao momento, o número de casos confirmados chegou aos 270, segundo o mais recente boletim do Ministério da Saúde, divulgado esta quarta-feira. No entanto, só seis dos 270 casos têm uma relação comprovada com o Zika. Outros 3.448 casos suspeitos de microcefalia foram notificados, mas ainda estão por apurar. O Zika deixou de ser uma crise brasileira no último mês: propagou-se por toda a América Latina. Na quarta-feira, a Presidente Dilma Rousseff, que se encontrava no Equador para participar numa cimeira de países latino-americanos e caribenhos, anunciou que os ministros da Saúde do Mercosul irão reunir-se na próxima semana no Uruguai para discutir medidas de combate ao Aedes e ao vírus Zika. Segundo a Folha de S. Paulo, Dilma afirmou que considera participar pessoalmente no encontro por causa da importância do tema. Questionada sobre a declaração do seu ministro da Saúde de que o país “está a perder feio” a luta contra o Aedes, Dilma respondeu que ele quis dizer foi que “se a população não participar, nós perdemos essa guerra” O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou no início desta semana que o governo vai distribuir gratuitamente repelentes às 400 mil mulheres grávidas que beneficiam do programa Bolsa Família. Mas a medida foi anunciada antes de ser discutida com fabricantes e de saber se estes têm capacidade para fornecer a quantidade pretendida sem comprometer o mercado. No início de Dezembro, o ministro já tinha anunciado uma medida idêntica, garantindo que os repelentes seriam produzidos pelo laboratório farmacêutico do exército. No dia seguinte, o exército esclareceu que não tinha capacidade para uma produção de tão grande escala.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Não SEI Como VIM PARA AQUI

domingo, 10 de janeiro de 2016

A inutilidade e o amor

Ter que ser útil pra alguém é uma coisa muito cansativa. É interessante você saber fazer as coisas, mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele. E é por isso que a velhice é esse tempo em que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade.
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Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranqüilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor. Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor. Porque a vida é assim, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora? É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".